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Quem está dirigindo a digitalização do rádio?

É necessário um esforço conjunto para levar a digitalização do rádio a um objetivo bem sucedido

O rádio AM/FM analógico continua sendo um meio de alcance de massa, enquanto o rádio digital ainda é um nicho. No final de mais um ano, o rádio digital ou a nova e avançada plataforma de áudio e multimídia ainda parece ser uma tartaruga (um pouco mais energizada em 2018) para a relativamente forte lebre analógica.

No Reino Unido, a relação entre analógico e digital é igual, o que significa que depende de como você olha para a garrafa - meio cheia ou meio vazia. O rádio digital ainda está prestes a decolar, mesmo que o rádio analógico seja visto agora como um pouco datado, um meio passivo em um mundo ativo como o especialista em mídia Scott Cohen declarou no recente Festival Internacional de Rádio em Malta.

O frenesi em torno de Pandora, Spotify, podcasting e híbrido continua. No entanto, a partir de estudos recentes nos principais mercados de rádio dos Estados Unidos, parece que os streamers de áudio são grandes fãs do AM/FM e ainda estão sintonizando o rádio de 1,5 a 2 horas diárias. O alcance do AM/FM nos seis principais mercados dos EUA pesquisados por Bob McCurdy é de 91% e o alcance diário de 63% se compara muito favoravelmente ao alcance semanal de 25% de Pandora. A rádio continua forte, mas, para alguns, em uma espécie de zona de penumbra entre o passado e o futuro.

ACELERAÇÃO

A única coisa que pode impulsionar o rádio é tornar-se digital. Isso significa que ele pode oferecer a rica variedade e o conteúdo personalizado no formato, no idioma e com a cobertura certa, correspondendo aos grupos de interesse ou comunidades que já precisam e desfrutam do meio. A tecnologia não é uma ameaça e pode dar um novo e diferente lugar de vida ao rádio, “áudio” ou “sons”, como alguns estão tentando mudar o nome do rádio para distanciá-lo de seu passado.

Tudo isso é óbvio; mas alguns estão perdendo a paciência com o rádio digital e mencionam que o DAB e o HD Radio já estão na meia-idade e o DRM acabou de terminar o ensino médio, enquanto o mítico 5G com todas as suas soluções digitais pode estar chegando. Uma resposta rápida seria que a digitalização do rádio usando DRM é um projeto relativamente novo, considerando as décadas que levou para se ter AM e FM no ar (mais de 70 anos para obter reconhecimento real e impacto nos últimos quarenta anos) e também o DAB ou HD Rádio.

Para acelerar a digitalização, muitos especialistas e pessoas bem-intencionadas acham que existe uma entidade que pode tomar as rédeas da coisa e orientar o processo. Em todo o mundo, este motor principal é muitas vezes visto como a emissora nacional, o regulador, o governo e até o Parlamento Europeu. Raramente são os ouvintes e apenas parcialmente a indústria manufatureira.

Para que a digitalização tenha sucesso, o rádio não precisa se esconder sob as roupas novas de “áudio” ou “sons”. Ele deve reconhecer e enfatizar seus atributos claros de ser “ao vivo”, mas também sob demanda, imediato, simples, móvel e amigável, universal e capaz de se conectar, dar conforto e esperança. Esses atributos fazem parte do legado do rádio e são conhecidos, ou ao menos experimentados diariamente pelos ouvintes.

A grande questão é se eles entendem o que o rádio digital pode oferecer além do que já sabem. Esperamos que eles estejam cientes da melhoria da qualidade de áudio (especialmente no AM), da maior possibilidade de escolha de conteúdo, dos programas especializados que atendem às necessidades e públicos específicos, dos recursos multimídia, da facilidade de uso e da experiência digital total, em linha com o que as outras plataformas oferecem atualmente.

Em encontros recentes realizados com especialistas asiáticos, fiquei impressionada com a admiração deles ao ouvir a excelente qualidade de áudio das transmissões digitais AM, a facilidade com que um receptor pode se tornar um dispositivo de aviso de emergência salvando vidas e as possibilidades de monetizar alguns dos recursos de rádio digital DRM em todas as bandas.

TODO O POTENCIAL

Então, em vez de perguntar quem está dirigindo a digitalização, devemos primeiro perguntar o que a está orientando. E parece que compreender todo o potencial do rádio digital é algo que todas as entidades mencionadas (emissoras, reguladores, governos, indústria, varejistas e ouvintes) precisam apreciar, experimentar e apoiar plenamente.

Se isso soa como voltar ao básico, que assim seja. Há financiadores com grande experiência em rádio digital em todo o mundo. Algumas indústrias, como a indústria automobilística, viram o potencial do rádio digital (pelo menos na Índia, onde nos últimos 18 meses o número de receptores DRM aumentou exponencialmente, indo muito além da marca de 1 milhão). Nenhuma recomendação da UE foi necessária. Mas bolsos sozinhos não fazem um casaco completo.

Se chegarmos à questão principal de quem comanda a digitalização, então a resposta é bem simples. Não pode ser uma entidade sozinha. Geralmente, nenhum governo por si só pode impor e introduzir um padrão de rádio digital se não levar em consideração todas as partes interessadas e não o fizer com compreensão, cuidado e apoio, às vezes até apoio financeiro. A digitalização só pode ser bem-sucedida onde todas as entidades trabalham juntas e há uma solução ganha-ganha para cada uma delas.

Mais fácil falar do que fazer. Nos países onde houve um projeto conjunto (Reino Unido, Alemanha), vimos o sucesso. Em outros países (Índia) estão sendo feitos esforços para unir todos os atores para criar um enorme mercado de rádio digital.

Até que todas as partes interessadas trabalhem juntas no pleno conhecimento de como o rádio digital pode beneficiar aos ouvintes e a todas as partes envolvidas, o processo será lento. Então, qual é a cola que mantém tudo junto? Paixão e crença no bom futuro do rádio, na noção de igualdade de acesso para todos à informação, juntamente com uma boa gestão e liderança sustentada por um genuíno desejo de sucesso.

Tradução: Thiago Novaes
Fonte: Ruxandra Obreja em https://www.radioworld.com/columns-and-views/who-is-driving-digitization



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