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Perguntas frequentes sobre o rádio digital...

O DRM-Brasil vem recebendo muitas perguntas sobre a digitalização do rádio. Abaixo segue nossa resposta a algumas perguntas recorrentes.

1) Gostaria de saber se há algum cronograma para a implantação das Ondas Curtas em sua versão digital?

Ainda não foi feita a escolha do modelo de referência de rádio digital para o SBRD (Sistema Brasileiro de Radio Digital). Esperamos que o novo ministro das comunicações escolha este ano o DRM para todas as faixas de rádio brasileiras.

2) Há anos venho acompanhando o desenvolvimento e a implantação e o que sinto é que, após vários anos, tudo ainda parece permanecer na esfera das "avaliações, conjecturas, ensaios" e nada de transmissões com tal formato.

Na verdade, por ser o único sistema digital para rádios de Ondas Curtas no planeta, o DRM poderia já ter sido implementado a mais de 10 anos sem nenhum tipo de problema, assim como na Europa.

Porém, neste mesmo período, o corpo técnico e a político brasileiro erroneamente aceitou o discurso que o sistema norte-americano HD Radio (Ibiquity) seria a única solução para o FM (VHF). No entanto, o DRM evoluiu. Há mais de 5 anos atrás foi desenvolvida uma extensão para o DRM que atende emissoras em VHF, acima dos 30 MHz, conhecido como DRM+. Portanto será atendida toda a faixa FM de 76 a 108 MHz (já inclusa a faixa estendida do FM).

O Sistema HDRadio tem um único proprietário: a Ibiquity (USA), e não é um padrão aberto. O codificador de áudio, por exemplo, é proprietário e secreto. Todas as empresas que quiserem trabalhar com o sistema HD Radio terão uma única opção para compra da tecnologia e licenciamento da mesma, um claro monopólio.

Por trás da idéia da migração, na verdade pode estar novamente a tentativa de aprovar o HDRadio! Ao menos para o FM (VHF).

3) Também recebi e-mails de colegas afirmando que o DRM seria repleto de falhas diversas.

Falhas diversas é uma afirmação muito ampla e genérica. Você poderia indicar algumas dessas falhas?
Nenhum sistema oferece 100% de garantias. O sistema DRM, que funciona em Ondas Curtas, Ondas Longas, Médias, Tropicais e VHF, possui mecanismos de correção de erro que nos permite receber e decodificar os sinais mesmo em péssimas condições de propagação como, por exemplo, ruído e interferências causados por multi-percursos, distâncias variadas, consequência de recepção móvel, etc.

O DRM usa o estado da arte da tecnologia de transmissão digital, semelhante aos outros padrões em uso, como o ISDB-T para TV e o LTE para telefonia 4G.

4) Que a recepção só seria realmente eficiente se o sinal estiver em plena operação.

Mas o que seria plena operação? Se a rádio está “no ar”, mesmo que seja em teste, transmitindo DRM30, com ótima qualidade (sem distorções, etc), ela já estaria em "plena operação".

5) Pois caso contrário, não seria possível captar o sinal digital.

Todos os sistemas que envolvam alguma parte em modo digital, exigem algum nível mínimo de SNR (Relação de potência entre o sinal e o ruído) para funcionarem corretamente. Assim, no sistema de rádio digital, é necessário um SNR específico e mínimo para que haja a decodificação do áudio e dados. Este SNR exigido, vai aumentando a medida que se eleva a taxa em bits/s de transmissão.

Exemplo: o DRM30 em um canal de 10kHz necessita de “aproximadamente” 10 dB (SNR) para uma taxa de transmissão de 10 kbps e 20 dB (SNR) para taxa de 20 kbps. Aumentando-se o bitrate, normalmente consegue-se melhor qualidade de áudio mas com menor área de cobertura.

Todos os sistemas digitais, seja para TV, rádio ou telefonia móvel funcionam desta forma.

6) Que tanto rádios receptores quando as estações de rádio emissoras, custariam muito, mas muito caro.

Não é verdade! A televisão digital brasileira começou sem nenhum transmissor ou receptor à venda no mercado. Hoje, a maioria das TVs vendidas no mercado brasileiro (e latino), já possuem decodificadores
digitais e seus preços continuam caindo diariamente. Transmissores de DTV são produzidos e comercializados no Brasil a um preço inferior ao estrangeiro.

Para as Ondas Curtas já existem rádios digitais DRM no mercado. Estes receptores ainda não estão no mercado brasileiro. Porém, mesmo adquirindo de fora, pela internet, se consegue receptores por menos de R$ 200,00 (com frete e imposto).

Para transmissão do DRM, existem empresas no exterior mas também nacionais, como a BT Transmitters. Temos certeza que, logo após a definição do sistema, outras empresas nacionais aparecerão. A tecnologia do DRM é aberta e existem implementações do codificador e modulador em software livre, facilitando a entrada de empresas no mercado.

Em alguns casos, o sistema de transmissão digital terá custo menor que um sistema analógico para a mesma área de cobertura.

Nós estamos em fase de testes de um sistema de geração DRM que custará menos de R$ 20.000,00 para potência em digital de até 1.000 W. Para uma transmissão de baixa potência na faixa de VHF, para RADCOM, por exemplo, o custo será menor que R$ 10.000,00.

7) e o pior de tudo, que o atual processo de rádio recepção desapareceria uma vez que haveria algo como uma espécie de "poluição" na faixa das atuais ondas curtas.

Imagino que você esteja se referindo ao sistema HDRadio nas Ondas Médias nos Estados Unidos. O sinal digital das emissoras HDRadio (10 khz de cada lado do canal AM de 10 khz = 30 khz no total) causam interferência nas AMs que se localizam nos canais adjacentes.

Obviamente, se colocarmos mais um sinal digital ao lado de cada emissora Ondas Médias e, não tendo espectro, só iremos aumentar ainda mais o ruído e as interferências. Porém, a migração das AMs para FM, apesar de não parecer, beneficiará as emissoras AM que permanecerem na faixa. Mais canais livres, mais canais digitais possíveis.

8) Enfim, creio que há na verdade, muito boato.

Com certeza! Pior que boato é a mentira.

9) Porém, vocês poderiam me esclarecer algo nesse sentido? Obrigado e bom trabalho.

Existem vários vídeos e audios disponíveis na internet, onde pode-se mostrar o DRM funcionando e provar que ele realmente existe e funciona bem.

10) Em termos de "parque de antenas" (em especial nas transmissões OC), a tecnologia DRM também requer tal instalação de antenas? Muitas vezes instalações bastante grandiosas, um emaranhado de antenas "apontando" (azimute) na direção em que se deseja que o sinal chegue. No sinal digital também é necessária essa configuração?

A transmissão do sinal DRM em nada difere das transmissões analógicas, em termos de radio-frequência. Por consequência, as características das frequências utilizadas, são as mesmas no sistema
analógico e no sistema digital. O que acontece é que no sistema digital, ao invéz da portadora ser modulada em frequência (FM) ou em amplitude (AM), ela á "modulada" com vários sinais, composto de
frequências e fases distintas, de acordo com a codificação adotada, que serão decodificados e convertidos novamente em um sinal analógico, no receptor.

A digitalização do rádio é transformar um sinal de audio analógico, em "bits" e transmitir esses bits com frequências e fases distintas dentro dessa portadora de RF, e recuperá-los no receptor, e
"exibí-los" no alto-falante.

Então, transmissores, linhas de transmissão, antenas, são idênticos aos das emissoras analógicas, com todas as características peculiares à cada faixa de frequencia, (OM, FM, ou OC), diferindo apenas em
pontos caracteristicos da curva de amplificação dos transmissores, que são necessários à qualquer transmissão digital, seja ela DRM, DAB ou HDRadio.

A grande vantagem está em que essa transmissão digital conta com mecanismos de correção de erro, o que torna essa transmissão muito mais eficiente e muito mais resistente à interferências, permitindo
utilizarmos potências mais baixas, (em torno de 10 a 15%) que o sistema analógico, para obtemos a mesma cobertura do sinal analógico, de boa qualidade.

Aí é que o DRM leva vantagem sobre os outros sistemas digitais, por ter um mecanismo de correção de erro mjuito mais eficiente, e outras características que permite utilizá-lo em todas as bandas de
frequência.

Espero ter ajudado e por favor fique à vontade para baixar e estudar a documentação existente no site do DRM Brasil - http://www.drm-brasil.org , onde você encontra todas as características do sistema, diferente dos outros, em que alguns pontos são uma "caixa preta" protegidos por patentes, direitos
autorai$ e royaltie$.

11) E o DRM vs. Satélite?

Comunicação via sátélite: vemos a comunicação via satélite como uma solução cara, pois ele tem um alto custo de construção e lançamento, manutenção em órbita e que exige monitoramento. Não existem muitos espaços em órbita disponíveis para satélites geoestacionários. O domínio de tecnologia não é nacional o que nos deixa dependente de outras nações. Outro problema é a sua vida útil que deve ser por volta de 20 anos. Sua confiabilidade é questionável uma vez que ele pode sofrer pane e parar de operar (sem como ir lá e consertar), de cair, ser atingido por lixo espacial ou meteoritos e toda a estrutura de comunicação desaparece sem um backup de curto prazo. Sua capacidade é limitada e sua área de cobertura é bem delimitada. A disponibilidade de energia e potência irradiada é limitada e a área de cobertura vai definir a densidade do sinal na região. Dependendo da frequência utilizada, as nuvens mais densas bloqueiam o sinal. Exemplo prático é querer assistir uma Sky or Claro TV nestas condições. Não há sinal. Outro fator é a interferência solar, quando o sol está muito próximo ou logo atrás do satélite o nível sinal/ruído inviabiliza a recepção. A distância do satélite também naturalmente cria uma latência acima de 0,5 segundo. Hoje as comunicações prioritárias não são via satélite, mas via cabos submarinos ou redes de microondas.

Imagino que mesmo com todos os defeitos e imperfeições, Ondas Curtas é um meio confiável. Mesmo com um fator de propagação desfavorável uma certa área será certamente coberta. Mesmo após catástofes, as Ondas Curtas são facilmente acessíveis, os transmissores não são tão caros como os que trabalham em altas frequências como 5 a 25GHz. Existe tecnologia nacional e temos localmente condições de desenvolver novas inovações nesta área.

12) Migração para FM x Digitalização

O FM já sofre com a falta de canais em grandes centros. A migração no nosso ponto de vista não é uma solução, apenas vai dar mais um tempo para que ocorra um novo congestionamento. Sinceramente acreditamos que o AM já deveria estar sendo digitalizado há anos. Hoje como vc bem disse, temos outras opções com a ampliação das redes móveis Edge (2,5G), 3G, 4G para acesso a internet. Todo caso a intenet é um meio compartilhado e é um meio que não está na mão da emissora. Quem controla esse meio? No congresso está sendo discutido neutralidade de rede, etc, mas o meio de transmissão passa pela mão de outros interessados e o usuário precisa pagar por este acesso.

O DRM já visa a universalização, ou seja, que o conteúdo possa ser acessível a qualquer um. O custo do receptor é um problema hoje, mas não muito distante um celular simples que custava no preço de hoje mais de 1000 reais e que não aguentava sequer 8h em standby. A Televisão Digital também é um outro exemplo e seu potencial até hoje não foi totalmente explorado. O custo hoje é muito baixo, perto do que era no seu lançamento.

Acredito que no futuro teremos uma integração de funções, onde o DRM estará embarcado no smartphone, na TV digital, no rádio do carro ou em outros dispositivos uma vez que há similaridade entre os sistemas, como por exemplo o Codec de áudio. O futuro do DRM: imaginamos que a criatividade será um fator muito importante para explorar os mais diferentes usos e aplicações desta tecnologia. Para nós que moramos e vivemos em uma região previlegiada, onde temos TV a Cabo, rede de telefonia, Cobertura 3G, 4G, fibra óptica, tudo parece que não tem muito sentido mesmo, pois temos muitas outras opções. Agora quando você está em regiões com menos infraestrutura ou as vezes, nenhuma, é notável que o Rádio Digital trará grandes benefícios, e nos grandes centros, é a oportunidade de ampliar a capacidade de emissoras e quem sabe melhorar a sustentabilidade, seja energética como do uso do espectro, pois há a possibilidade de 1 canal transmitir 2, 3 ou 4 emissoras em um mesmo parque de transmissão.

Espero que tenhamos respondido as suas indagações. Qualquer dúvida,
entre em contato novamente.

http://www.drm-brasil.org/

http://www.drm.org/

DRM-Brasil.



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